2024/10/19

"Camões na Ilha de Moçambique", palestra pela Professora Zulmira Santos

 

"Camões na Ilha de Moçambique" 

pela Prof. Zulmira Santos | FLUP

1.ª SESSÃO DO CICLO "ENTRE PORTUGAL E MOÇAMBIQUE"

sobre relações e trânsitos culturais entre ambos os países 


19 OUT. 2024, sábado,  | às 18h | Na Livraria Gato Vadio







"Sabe-se que Camões viveu de 1567 a 1569 na Ilha de Moçambique. Mas não é apenas a presença biográfica do poeta que nos interessa: interessa perceber como um poeta de língua portuguesa atinge o universal nas suas travessias do Índico, nos seus contactos com povos de África e do subcontinente indiano, nas metamorfoses de um imaginário que é do seu tempo e também do nosso. Interessa renovar a leitura de Camões para além dos estereótipos. Diz a tradição que Camões viveu aí na Rua do Fogo. Nome adequado para todos os que o leram ou lerão."


Camões na Ilha de Moçambique

"É o tema da conversa com Zulmira Santos que o Gato Vadio acolhe já este sábado, 19-10, às 18h. É a conversa necessária para todos aqueles que gostam de Camões (e para gostar é mesmo preciso lê-lo) neste 1524, perdão, 2024. Camões, recordemo-lo, permaneceu dois anos na Ilha de Moçambique: não se sabe exactamente o que lá fez ou o que escreveu, mas como se supõe que estivesse no caminho de regresso da Índia, podemos levantar algumas hipóteses.

A primeira e a mais importante hipótese parece ser aquela que retira Camões aos programas que sempre quiseram impor-lhe, fossem eles literários, políticos, educativos ou outros e o devolve à liberdade da criação e do pensamento. Ficamos, portanto, com um excerto de António José Saraiva, um camoniano heterodoxo:

«Um Camões contraditório? E porque não? Os autênticos artistas e pensadores são os que têm a coragem ou a lucidez de viver e pensar até ao fim as contradições que dinamizam a vida. Normalmente os tratadistas e ensaístas partem do pressuposto da coerência do autor estudado, procurando demonstrá-la através de uma conveniente interpretação dos fragmentos da sua obra, que se esforçam por encaixar numa arquitectura ordenada. Tenho partido, pela minha parte, do pressuposto contrário, o pressuposto da contradição, procurando determinar as relações dinâmicas entre os fragmentos contraditórios, evidenciar as tensões que acompanham tais contradições e acompanhar o movimento por elas determinado, que conduzem ou não a superações e a novas tensões. No caso de Camões, creio que este método é de uma fecundidade evidente» - in Para a História da Cultura em Portugal, vol. II, Bertrand, p. 128."
Texto in livraria Gato Vadio | Facebook, 17.10.204




Entre Culturas: artes, artistas e intelectuais entre Portugal e Moçambique

"Este ciclo de conversas, que acontecerá uma vez por mês até maio de 2024, visa abrir a possibilidade de discutir questões relacionadas com o diálogo entre Portugal e Moçambique a partir das artes e da cultura.

1ª sessão: 
Com Lurdes Macedo, Nuno Bessa Moreira e Vanessa Rodrigues.

Entre Portugal e Moçambique há uma História (inter)cultural ainda por descobrir

Nesta conversa inicial para apresentação e enquadramento do ciclo Entre Culturas: Artes, artistas e intelectuais entre Portugal e Moçambique, os seus organizadores lançarão algumas pistas de reflexão sobre a invisibilidade para a qual tem sido remetida a História cultural que liga os dois países, e sobre o quanto desta há ainda por descobrir. 

Os silenciamentos da História, neste caso concreto, serão questionados a partir das tensões do colonialismo tardio e do pós-colonialismo e da aparente descontinuidade entre estes dois tempos. 

Os artistas e intelectuais que se movimentaram entre Portugal e Moçambique, bem como a sua rica, extensa e original obra, serão porventura dos mais silenciados por essa História que teima em manter na sombra um legado intercultural cujo valor para a cultura da língua portuguesa se encontra ainda por avaliar. 

Sem pretensões de proceder a essa avaliação, esta conversa tem por objetivo iniciar um percurso que traga à luz um pouco dessa arte, desses artistas e desses intelectuais que conheceremos melhor nas restantes conversas do ciclo."

que ocorreu na livraria Gato Vadio, em 21.19.2023, às 18h. 
in livraria Gato Vadio | Facebook, 19.10.2023.





  1. A casa que Camões habitou na Ilha de Moçambique. - Foto, in Gato Vadio | Facebook, 17.10.2024.
  2. Mapa de Moçambique, no anúncio da 1ª sessão de um ciclo de conversas intituladas "Entre Culturas: artes, artistas e intelectuais entre Portugal e Moçambique", que ocorreu na livraria Gato Vadio, em 21.19.2023, às 18h. - Foto, in Gato Vadio | Facebook, 19.10.2023.






para saber +

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Redação: 24.10.2024